Impressionismo, Moda e Modernidade

Com base no livro “Impressionism, Fashion & Modernity”, editado por Gloria Groom, lançado junto à exposição no Metropolitam Museum of Art em Nova Iorque, esse post trata rapidamente sobre a relação da moda e a modernidade com o movimento impressionista.

A moda como um fenômeno próximo ao que conhecemos hoje só é possível ser estudada no século XIX, o século em que os centros urbanos se expandem e a modernidade realmente transforma a vida das pessoas que neles vivem. Sendo a moda intrínseca à modernidade, não é possível reunir tanto material sobre ela em períodos em que a modernidade avançava lentamente.

O escritor do século XIX Charles Baudelaire, de acordo com Heidi Brevik-Zender, que contribuiu escrevendo para o livro “Impressionism, Fashion & Modernity”, é talvez o escritor mais influente da metade do século XIX sobre moda e centros urbanos. Em 1863, o jornal Le Figaro publicou um ensaio sobre a vida moderna que incluía uma definição de Baudelaire sobre a modernidade: “Modernidade é a transitoriedade, a fuga, a contingência, a metade da arte a qual a outra metade é eterna imutável.” Assim, para Baudelaire, uma experiência urbana e moderna é caracterizada pela atemporalidade e pela efemeridade do dia-a-dia, balanceados pela permanência da beleza e da arte.

Não é à toa que o Impressionismo é o movimento artístico que mais deu destaque à moda em suas pinturas. Diferentemente de retratos de nobres que encontramos em séculos anteriores, a moda estava associada aos indivíduos retratados. Os quadros impressionistas nos mostram a moda independente de quem a veste, com um destaque maior. Uma das explicações para isso seria a ascensão da burguesia, agora a classe dominante que consome arte, querer se ver retratada, inclusive sua moda, item fundamental como representação de poder conquistado e identidade.

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BERTHE MORISOT, As Irmãs, 1869

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ALFRED STEVENS, Mulher de Rosa, 1866.

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PIERRE-AUGUSTE RENOIR, O Camarote (detalhe), 1874.

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ÉDOUARD MANET, Stéphane Mallarmé, 1876.

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PIERRE-AUGUSTE RENOIR, Mulher com Papagaio, 1871.

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BERTHE MORISOT, Antes do Teatro, 1875.

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ALBERT BARTHOLOMÉ, No Conservatório, 1881.

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JAMES TISSOT, O Marquês e a Marquesa de Miramon e seus Filhos, 1865.

Artistas como Gustave Coubert, Edgar Degas, Édouard Manet, Claude Monet e Pierre-Auguste Renoir, segundo Gary Tinterow, diretor do Museu de Belas Artes de Houston (MBAH), se utilizaram muito da moda para representar a vida moderna em suas telas, principalmente “la Parisienne”, um conceito concebido no século anterior, mas que passou a ser um tema importante e recorrente na arte, sendo as roupas comumente retratadas ganhando mais destaque do que o rosto de quem as veste.

A figura da mulher parisiense seria o que melhor representaria a modernidade e a beleza: ela passou a ser o foco na academia de artes, substituindo as figuras nuas neoclássicas. Historiadores da arte apontam que Manet queria ser reconhecido pelo seu esforço em retratar a mulher parisiense moderna, tanto que liderou, ao lado de Courbet, essas representações. Manet, em 1881, uma vez disse: “a ultima moda é absolutamente necessária para a pintura. É o que mais importa.”

ÉDOUARD MANET, A Parisiense, 1875.

ÉDOUARD MANET, A Parisiense, 1875.

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ALFRED STEVENS, Eva Gonzalèz no Piano, 1879

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JAMES TISSOT, O retrato, 1876.

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CHARLE-ALEXANDRE GIRON, Mulher com Luvas ou A Parisiense, 1883.

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EDGAR DEGAS, Mulher com Binóculos, 1875-76

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CLAUDE MONET, Camille Monet em um Banco no Jardim, 1873.

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BERTHE MORISOT, Jovem e um Vestido de Festa, 1879.

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PIERRE-AUGUSTE RENOIR, A Parisiense, 1874.

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JEAN -BAPTISTE-CAMILLE COROT, Dama de Azul, 1874.

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JAMES TISOT, Retrato da Marquesa de Miramont, 1866.

A imagem da mulher parisiense é icônica até hoje e, assim como naquela época, representa feminilidade aliada à modernidade e sofisticação. Essa imagem foi benéfica para a França como propaganda para consumo de produtos franceses e ainda é associado à qualidade e bom gosto.

A moda representada na arte impressionista também foi estrategicamente utilizada como ferramenta para ajudar e promover, tanto a si mesmos, quanto outros amigos artistas e pessoas relacionadas à indústria da moda. Havia uma cultura de consumo crescente que, assim como a moda, demandava inovação e visibilidade, então, fazendo parte do mesmo círculo social, artistas, modelos e empresários se ajudavam, levando a moda a ter mais destaque, despertando desejo da classe-média consumidora, tanto pela moda quanto pelo estilo de vida da burguesia. A vida agitada nos centros urbanos passou a fascinar cada vez mais, e o dinamismo das capitais deveria mostrar-se também nas telas, mostrando o cotidiano nas ruas de Paris, em cafés e bailes, tudo de maneira a enfatizar o lazer e diversão que as cidades proporcionavam.

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PIERRE-AUGUSTE RENOIR, O CAsal, 1868.

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CAUDE MONET, Almoço na Grama, 1865-66.

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CLAUDE MONET, Almoço na Grama (painel esquerdo), 1865-66.

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CLAUDE MONET, Mulheres no Jardim (detalhe), 1866.

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JEAN BÉRAUD, Cena das Ruas de Paris, 1910.

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JAMES TISSOT, A Mulher da Loja, 1883-85.

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GUSTAVE CAILLEBOT, No Café, 1880.

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GUSTAVE CAILLEBOT, A Pont de l’Europe, 1876.

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JEAN BÉRAUD, A Igreja de Saint-Philippe-du-Roule, 1877.

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JEAN BÉRAUD, Place de l’Europe, 1875.

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ÉDOUARD MANET, A Ferrovia, 183.

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JAMES TISSOT, Baile à Bordo, 1874.

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EDGAR DEGAS, Amuado, 1870.

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FRÉDÉRIC BAZILLE, Reunião de Família, 1867.

Renoir e Monet não faziam parte desse círculo social devido às suas condições sociais e econômicas: Monet, que estava constantemente endividado pelo seu alfaiate preferido, enquanto Renoir, filho de um alfaiate e costureira, ambos demonstravam grande interesse pela moda.

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ALFRED STEVENS, Flores de Outono, 1867

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CLAUDE MONET, Camille, 1866.

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CHARLES CAROLUS-DURAN, Dama com Luva, 1869.

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PAUL CÉZANNE, O Passeio, 1871.

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PAUL CÉZANNE, A Conversa, 1870-71.

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BERTHE MORISOT, Na Sacada, 1872.

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JAMES TISSOT, As Duas Irmãs, 1863.

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ALFRED STEVENS, Outono, 1876.

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JEAN-AUGUSTE-DOMINIQUE INGRES, Madame Moitessier, 1851.

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FRANZ XAVER WINTERHALTER, Imperatriz Eugénie, 1854.

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