Roupa de Homem, Roupa de Mulher

Mulheres do Paleolítico superior vestindo saias de pele. 8000 a.C.

Mulheres do Paleolítico superior vestindo saias de pele. 8000 a.C.

Por todas as fases pelas quais a humanidade passou até agora, as roupas que nos vestiram sempre diferenciaram os gêneros, independente do momento histórico ou sociedade. É claro que nem todos os trajes diferenciaram homens e mulheres pela forma que conhecemos hoje aqui no ocidente, que é pela saia par elas e calça para eles. Na China e no Antigo Oriente Próximo há registros de mulheres também vestindo calças, mas sempre existiram ocasiões específicas e tradicionais em que os trajes necessariamente diferenciavam os sexos.

“Odalisca” por Eugéne Delacroix

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Uma princesa otomana por Frederick A. Bridgeman

"Dama com Falcão". Índia, 1750.

“Dama com Falcão”. Índia, 1750.

Ainda quando o fenômeno de moda não acontecia, as diferenciações ocorriam com mais ênfase nos detalhes. Seja no comprimento da túnica ou no penteado, pode-se notar que a diferenciação não é feita apenas por gosto, mas aparentemente por uma necessidade que a sociedade sente em fazê-la. Isso independe se essa sociedade é patriarcal ou não. Por mais que possamos creditar à cultura como causa para os hábitos e forma de se comportar de uma sociedade, ainda parece não ser uma resposta suficientemente esclarecedora sobre um comportamento que se repetiu e se repete há milênios em diferentes civilizações. Ao analisarmos peças de roupas de povos antigos como egípcios, gregos e romanos, a diferença se dá apenas em detalhes se comparamos com séculos posteriores. Comprimento de túnica e acessórios são os principais diferenciadores de gêneros pela indumentária das sociedades pré-históricas e antigas.

Esculturas romana representando homens e mulheres e seus diferentes tipos de drapejamento para cada sexo.

Esculturas romana representando homens e mulheres e seus diferentes tipos de drapejamento para cada sexo.

A partir dessa análise, podemos constatar que diferenciar gênero por meio do vestuário sempre foi necessário em todas as sociedades, pelo menos a partir de quando o homem começou a organizar e delegar tarefas para cada membro, além de ter ferramentas para poder realizar essa diferenciação nas peças de vestuário da época. A questão principal seria pensarmos as razões pelas quais essa necessidade sempre existiu e perdura até hoje. Mesmo com a democratização da calça jeans e camiseta branca para ambos os sexos no século XX, ocasiões especiais exigem um traje específico para cada sexo, como em festas formais, por exemplo. A questão aí então parece se ampliar para os traços psicológicos do homo sapiens, que talvez tenha uma necessidade de catalogar, registrar e marcar o que é diferente. Também há as nuances de nosso subconsciente que traduz nossas necessidades e vontades mais primitivas e íntimas em símbolos e rituais, o que também se transfere para o vestuário. É provável que só conseguiremos obter uma resposta se olharmos dentro da psique humana e não apenas para a história do vestuário em si, porém alguns pesquisadores e estudiosos trazem boas análises sobre os gêneros definidos em roupas sem necessariamente entrar na Psicologia.

Posteriormente farei algumas resenhas tentando abordar esse tema na visão desses pesquisadores e depois ver se rola um comparativo :)

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